Preocupados com o roubo de cargas, sindicatos e transportadores rodoviários de cargas realizaram, recentemente, em Florianópolis, um encontro para debater a questão. A reunião foi promovida pela Federação das Empresas de Trans-portes de Cargas e Logística do Estado de Santa Catarina (Fetranscesc), e mediada pelo presidente da Federação, Pedro José de Oliveira Lopes.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Oeste e Meio Oeste de Santa Catarina (Setcom) esteve representado no evento.
Para falar sobre o roubo de cargas, foram convidados o assessor de segurança da NTC Logística, Coronel Paulo Roberto de Souza; o coordenador geral da Polícia Rodoviária Federal, Alvarez de Souza Simões; o delegado de polícia Anti-sequestro do DEIC, Renato José Hendges; e o delegado da Polícia Federal e responsável pelo patrimônio, Ildo Rosa, representando o Superintendente Regional da Polícia Federal, Ademar Stocker.
O Coronel Paulo Roberto explanou, em números, o cenário em que o transporte de cargas se encontra. Em 2009, foram 13,5 mil ocorrências de roubo de cargas entre as áreas urbanas e rodovias, somando 900 milhões em prejuízos. O maior índice de roubo registrado foi entre 2008 e 2009.
Analisando o cenário de todo o País, o Sudeste, região que abrange São Paulo, possui o maior índice, 81,38% dos roubos. O Sul registra 7,93% e o Norte fica com o menor índice, 1,56% dos roubos.
O Coronel afirmou que após as ocorrências, 80% dos veículos são recuperados.
As mortes durante a atuação dos bandidos diminuíram consideravelmente com o passar dos anos. Em 1998, foram 37 mortes registradas. Em 2003, 18 mortes registradas, e em 2009, 9 mortes. Para o Coronel, isso se deve pelos assaltantes não querer a morte do motorista, pois sabem que se forem descobertos, a pena é maior. Acrescenta ainda que é comum a agressão, o abalo psicológico e até ameaças aos familiares.
O Coordenador Geral da Polícia Rodoviária Federal, Alvarez de Souza Simões disse que as medidas estruturantes para o combate do roubo de cargas são o fortalecimento das ações de inteligência policial, fortalecimento dos núcleos de operações especiais, criação e consolidação de cursos técnicos de policiais para o combate ao crime, criação de equipes de intervenção tática nas principais dele-gacias/PRF e a criação de grupo de análise criminal.
Com isso, de 2003 pra cá, foram realizadas 127 mil prisões.
Complementando a explanação, o Delegado de Polícia Anti-sequestro do DEIC, Renato José Hendges, citou que a primeira meta a ser cumprida é criar a delegacia de especialidade de roubo e furto de carga. Afirmou também que há necessidade de um trabalho interligado entre as polícias, ressaltando a importância da integração entre elas.
Pedro Lopes finalizou o evento dizendo que o envolvimento que tiveram da Polícia Civil, PRF, PF, do coronel Nunes, da sua experiência da NTC e da secretaria da Fazenda, mostrou aos empresários que as ações e as medidas precisarão e deverão ser mais contundentes.
Para o Presidente do Setcom, Paulo Simioni, o evento foi válido para demonstrar o comprometimento das autoridades para com o cenário em que o setor de transporte rodoviário de cargas se encontra.